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Bert Hellinger (1925-2019)


     Anton Yohan "Suitbert" Hellinger foi o sistematizador das constelações, abordagem terapêutica e filosófica que vem revolucionando a forma de cuidado e saúde.

    Hellinger nasceu em Liemen ao sudoeste da Alemanha, em 16 de dezembro de 1925. Seu nome de batismo foi alterado enquanto missionário acrescentando "Suitbert", posteriormente ficou conhecido como Bert Hellinger em todo o mundo. 

    1925 - Nasce Anton Yohan Hellinger, filho de Albert  e Anna Hellinger. Tendo por irmãos Robert, dois anos mais velho e Marianne, dois anos mais nova. Relata que viver em uma vila de operários foi uma vivência de integração com as outras famílias.

    1930 - Seus pais se mudam para a cidade de Colônia, deixando-o com seus avós, uma experiência  que ele vai classificar como traumática, e o faz reconhecer ao longo da vida adulta a dimensão do Amor Interrompido, o movimento de querer ir até a mãe e estar impedido, e reproduzir esse padrão em outras relações. 
    Ele volta a conviver com seus pais quando da época escolar, cursando a escola primária. Nessa época já havia decidido pelo sacerdócio. Ele reflete, já adulto, que essa escolha foi influenciada pelos avós.

    1936 - Muda-se para o internato para meninos da ordem católica dos Missionários de Mariannhiller em Lohr am Main. Define essa fase da vida como os melhores anos da sua juventude.

    1941 - Com a Segunda Guerra Mundial, o internato se torna um Hospital Militar. Bert Hellinger, retorna a morar com seus pais agora na cidade de Kassel. É classificado como Inimigo do regime nazista.

    1942 - Ele é recrutado a participar da guerra, aos 17 anos, mesmo sendo contrário ao regime 
    
    1943 - Recrutado como soldado
    
    1944 - Feito prisioneiro de guerra 

    1945 - Consegue escapar da prisão

    Entre 1946 e 1947, retomou os estudos interrompidos pela guerra e passou a se preparar para o ingresso no seminário, já decidido a seguir o sacerdócio.
    
    1952 - Frequentou o seminário em Würzburg na Alemanha,  onde estudou teologia e filosofia. Ele concluiu sua formação e se tornou padre e enviado para a África do Sul como missionário por 16 anos.

   Entre os Zulus, teve contato com rituais, práticas de respeito aos ancestrais e dinâmicas familiares coletivas, elementos que mais tarde influenciariam profundamente sua compreensão sobre os vínculos humanos e as Constelações Familiares. O respeito, reverência, a ligação aos antepassados em um vínculo profundo entre o passado, o presente e o fluxo de vida adiante. Também a união entre os membros do sistema familiar como partes integrantes do todo familiar.
  
     1970 - De volta à Alemanha inicia sua formação em psicanálise, terapia Gestalt, análise transacional, terapia primal, hipnoterapia, PNL e terapia familiar.

      Transição para a psicoterapia

    De volta à Alemanha na década de 1970, Hellinger iniciou formação em diferentes abordagens psicoterapêuticas, entre elas: psicanálise, Gestalt-terapia, análise transacional, terapia primal, hipnoterapia, Programação Neurolinguística (PNL) e terapia familiar.

      Ele participou de um congresso de Dinâmica de Grupo, conheceu a psicoterapeuta Ruth Cohn, também participou de um workshop de Gestalt que mudou a sua percepção de vida e o fez deixar a Igreja e dedicar-se à psicoterapia. 

    Sua trajetória acadêmica incluiu também estudos em pedagogia, filosofia, taoísmo e dinâmica de grupos. Foi reconhecido como um incansável pesquisador do comportamento e das relações humanas.

  Hellinger sempre afirmou não ter “criado” as Constelações, mas que estas lhe foram reveladas:


"A Constelação Familiar existia antes de mim, eu só encontrei com ela"

    As bases teóricas que sustentam as Constelações Familiares dialogam com a Teoria Geral dos Sistemas (1940–1968), com o Psicodrama de Jacob Moreno (1917–1930) e com a Escultura Familiar desenvolvida por Virginia Satir (década de 1960). 

    Na década de 1980, Hellinger sistematizou a prática sob o nome Familienaufstellung (posteriormente Familienstellen), termo que significa “colocação” ou “posicionamento familiar”. Inicialmente, o constelado posicionava os membros do sistema, e o constelador reorganizava as figuras. Com o tempo, os próprios representantes passaram a se mover espontaneamente, permitindo o surgimento de novas dinâmicas.

    A partir de 2003, em parceria com sua segunda esposa, Sophie Hellinger, a abordagem ganhou novos desdobramentos, integrando também dimensões mais espirituais.

    Legado   

    As Constelações Familiares se expandiram mundialmente e hoje dialogam com diversas áreas do conhecimento, como filosofia, biologia, antropologia, sociologia, pedagogia, psiquiatria, psicologia e espiritualidade. 
    
    Bert Hellinger faleceu em 19 de setembro de 2019, em Bischofswiesen, Alemanha, deixando um legado que continua a inspirar práticas terapêuticas, educativas e sociais.


Fontes:

HELLINGER, Bert. Meu trabalho. Minha vida: a autobiografia do criador da Constelação Familiar. São Paulo: Cultrix, 2006.

HELLINGER, Bert. A trajetória de Bert Hellinger. In: HELLINGER sciencia. Bad Reichenhall: HELLINGER sciencia GmbH & Co. KG. Disponível em: https://www.hellinger.com/pt/bert-hellinger-o-original/bert-hellinger/a-trajetoria-de-bert-hellinger