Início>> Saiba mais>> Constelações no atendimento a sistemas manifestando Esquizofrenia e outras Psicoses

   
As psicoses configuram um desafio no campo da saúde mental, sendo o grau maior de dissociação da psiquê de um indivíduo, categorizada como esquizofrenia.
No passado a esquizofrenia foi classificada em tipos (paranóide, catatônica, hebefrênica), atualmente






    Bert Hellinger, o sistematizador das constelações, pela primeira vez que participou de uma constelação - pois a dinâmica do posicionamento familiar já existia antes dele - foi representante do pai de um menino esquizofrênico. 

    Sentindo e experienciando que essa manifestação psíquica possui um componente sistêmico familiar.

    Jurgen Ruesch (1909 - 1995) e Gregory Bateson (1904-1980), trouxeram contribuições à comunicação e ao estudo da esquizofrenia, incluindo a hipótese do duplo vínculo, apesar de esse pensamento ter sido substituído.
    
    O que converge com esse pensamento, como hipótese, que mensagens com duplo vínculo poderiam disparar a ressonância sistêmica, em quem possui a predisposição genética, observada em membros familiares agressores-vítimas. 

    O que se observa em constelação, é que dinâmicas em sistemas com esquizofrenia, membros tiveram de representar ao mesmo tempo agressores e vítimas.

    Esse tema de saúde, é interdisciplinar, abrangendo as áreas da psiquiatria, farmacologia, psicologia, biologia e também das Constelações Familiares Sistêmicas.

 Sthéphanie Louise - 24 de setembro de 2025. 





Bert Hellinger em seu livro: "As Ordens da Ajuda", pág. 23 relata, com grifos meus:

    "Franz Ruppert publicou recentemente um livro muito bom, Verwirrte Seelen (Almas desnorteadas), no qual mostra de uma forma convincente que psicoses não são doenças, e sim, algo que tem a ver com a alma e, na verdade, com a alma familiar. Por isso, podemos nos aproximar aqui sistemicamente desse tema, com cuidado, através das constelações familiares e dos movimentos da alma e, talvez, encontrar uma boa solução."


Ainda segundo Bert, grifos meus:


    "Em primeiro lugar, a psicose não é um sofrimento de um indivíduo. Ela é o sofrimento de um sistema. Desde o curso para pacientes psicóticos, que está documentado no meu livro e vídeo,
Liebe am Abgrund (Amor à beira do abismo), para mim foi ficando cada vez mais claro que por trás de uma psicose - e com isso se quer dizer, via de regra, uma esquizofrenia - está uma morte encoberta.

A pessoa que sofre ou a família como um todo fica desnorteada, porque precisa incluir, ao mesmo tempo, tanto a vítima quanto o agressor em sua própria alma. Isso leva a um desnorteamento. A solução é que ambos, vítima e agressor, recebam novamente um lugar na família. Isso acontece, antes de mais nada, quando o agressor e a vítima são colocados um em frente ao outro, respeitam-se mutuamente e tomam o outro em sua própria alma. Esse é o movimento da alma que vai muito além das constelações familiares. Ele nos conduz a uma outra dimensão. Nessa dimensão, quando se olha para o todo, todos têm o mesmo lugar, têm a mesma importância." 



No livro "Amor do Espírito", em atendimento a uma família com sintoma psicótico:

    "Para o grupo - Por que alguém se torna psicótico? A pessoa está simultaneamente emaranhada com duas pessoas que se opõem, profundamente conectadas, mas não reconciliadas. Na minha experiência até agora, trata-se sempre de um assassino e uma vítima que ainda não se reconciliaram com amor. Nesta constelação, no final foram unidos com amor. Assim o que ainda não estava reconciliado, agora finalmente se reconciliara, e o problema que ainda não tinha sido resolvido foi solucionado."


Além da esquizofrenia, outros transtornos têm sintomas psicóticos, como o transtorno bipolar, o transtorno esquizoafetivo, e demais manifestações.


Bert Hellinger em um atendimento a 



ESTUDOS E ARTIGOS NO CAMPO DAS CONSTELAÇÕES E SISTÊMAS PSICÓTICOS



Abaixo alguns estudos  sobre a constelação familiar sistêmica em relação a atendimento a psicoses:

1. Weber, G. & Drexler, D. (2002). Familien-Stellen bei Psychosen. PiD - Psychotherapie in Dialog. 
https://doi.org/10.1055/s-2002-34539


2. OLIVEIRA, Adriana Braz de. Psiconstelação – A saúde mental na perspectiva sistêmica: um estudo sobre o uso de constelações familiares em casos de transtornos psicológicos. 2024.
Dissertação (Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Saúde) — Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2024. Disponível em: https://repositorio.metodista.br/items/80d03485-7406-4084-bf6f-646607354b99



Mais estudos precisam ser realizados, para avaliar os benefícios ao integrar a prática das constelações ao atendimento integral de famílias com esses tipos de transtornos psíquicos.

CUIDADOS E OBSERVAÇÕES AOS ATENDIEMNTOS DE SISTEMAS COM SINTOMAS PSICÓTICOS




A psiquiatra Dagmar Ramos em seu livro Constelações Familiares na Medicina, pag. 127, no item: "Observações sobre as Constelações de pacientes com transtorno mental" descreve:

    "Eu recebo muitos pacientes psiquiátricos encaminhados por outros colegas médicos ou psicólogos. Nesses casos, convido-os a estarem também presentes, pois uma Constelação pode trazer elementos novos que vão colaborar com os processos de tratamento.

    Algumas questões são importantes no atendimento de pessoas com transtornos psiquiátricos que buscam uma Constelação.
   
    O paciente em quadro de confusão mental, delirante ou com alucinações, no momento do atendimento, não deve ser submetido a uma Constelação, seja como cliente, seja como representante, com o risco, inclusive, de piora do seu estado. Um familiar seu, preferencialmente  a mãe ou o pai, pode fazer uma colocação da família, com foco na doença do paciente em questão. 
   
    Porém, o paciente estabilizado, em tratamento, lúcido e consciente, pode perfeitamente ser um cliente ou representante em uma Constelação [...]"




Minha experiência profissional ao atendimento de uma pessoa e família com sintoma psicótico








Referências:

HELLINGER, Bert. Ordens da ajuda. 3. ed. São Paulo: Atman, 2013